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A CULTURA CRIADA PELA PSICANÁLISE

12/06/2019

Em outro post mencionei alguns dos efeitos da chamada “difusão da psicanálise na cultura”, sua pregnância no vocabulário discursivo de determinadas sociedades e, obviamente, isso não atingiu só a cultura, mas também fortificou, de forma gigantesca, o próprio movimento psicanalítico.

 

É comum as pessoas passarem a se interessar pela psicanálise após ter aberto uma revista onde determinado analista estava falando sobre algo do humano, ou após uma palestra sobre o tema que as aproximaram do conhecimento psicanalítico e, muitas delas resolvem mergulhar nesse universo e se tornarem analistas.

 

Sem a difusão da psicanálise na cultura geral, certamente, o movimento psicanalítico não teria o impulso que teve. Os grupos, os institutos de formação em psicanálise, não seriam tantos como são hoje e os números de participantes nestes institutos não estariam na casa das centenas de milhares pelo mundo.

 

Então, por que ela foi se tornando uma referência de pensamento sobre determinado tema?

 

O tema não é outro senão a extensão do psiquismo humano, da mente humana, da alma humana.

 

A Psicanálise corresponde a um conjunto de conhecimentos, tido como um dos principais produzidos pelo homem. Sem dúvida nenhuma um grande triunfo a começar pela empreitada hercúlea de Freud, sozinho, depois com alguns poucos discípulos na puritana Viena e hoje ela está aí mundo afora, tanto que estamos aqui, no século 21, falando de algo com mais de 120 anos e que captura o interesse humano.

 

Sem dúvida é algo extremamente bem-sucedido em termos culturais e, obviamente, na medida em que a Psicanálise é difundida na cultura, também vai sendo cobrada pela cultura, sendo que nela existe todo um dinamismo, na medida em que foi o próprio Freud que nos ensinou a pensar que o homem forma sua subjetividade a partir desse encontro com a cultura. Nos tornamos o que somos na medida em que a cultura nos atravessa e, sendo a cultura dinâmica, obviamente ao longo do tempo todo uma série de novos “mal-estares” e novos sofrimentos vão surgindo.

 

Portanto, em nossa atualidade a Psicanálise é chamada a dar certas respostas ou encaminhamentos a várias questões sobre coisas que obviamente Freud mencionou em sua época, sendo várias delas como, na psicossomática os transtornos fronteiriços ou border lines, síndromes de pânico, toda uma série de coisas que vão sendo colocadas pelo dinamismo atual da sociedade e quem vão condicionando novas formas de sofrimento.

 

Hoje, por exemplo, as histerias, como Freud teorizou e as vivenciou na clínica, ainda existem, mas em menor número do que propriamente outros tipos de “mal-estar” que acometem as pessoas em grande escala atualmente.

 

Isso é fundamental dizer: uma teoria tem um poder heurístico. O seu poder de intervenção e os conceitos que traz têm um caráter heurístico e um caráter verdadeiramente capaz de fazê-la ser útil, para que as pessoas possam pensar coisas em outro campo e mesmo em outros tempos.

 

Eu sou daqueles que obviamente acredita que a psicanálise ainda tem esse poder de dar respostas a muitas das questões que a nossa atualidade nos coloca. Não tenho comigo nenhum caráter missionário, pois o dia que em que eu não acreditar que ela não faça mais isso, não terei problemas em deixá-la de lado.

 

Mas acredito nela, na sua sutileza e na sua grandeza teórico-clínica. Na minha opinião, incomparável no mundo psíquico, capaz de dar respostas a mal-estares contemporâneos, bem como questões que a cultura de modo geral nos coloca.

 

 

 

 

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