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A MODERNIZAÇÃO TRAZIDA PELA PSICANÁLISE

03/06/2019

Freud influencia modernismo e meio cultural do início do século


As idéias de Sigmund Freud influenciaram o movimento modernista brasileiro e outras áreas do conhecimento. Essa foi a conclusão do debate "Freud e Modernismo", promovido pela Folha e pela curadoria da mostra "Brasil: Psicanálise e Modernismo", em cartaz no Masp (Museu de Arte de São Paulo) até 17 de dezembro.


A psicanalista Maria Ângela Gomes Moretzsohn, uma das curadoras da mostra, abriu a discussão, citando os precursores brasileiros no campo da psicanálise.


"Antes de Franco da Rocha e Durval Marcondes, já havia um grupo de pessoas que discutiam o assunto. Em 1899, o médico Juliano Moreira falou de Freud em uma aula na Faculdade de Medicina da Bahia."


Segundo ela, outro nome importante é o do também médico Genserico Pinto, aluno de Moreira, que escreveu uma tese sobre psicanálise em 1914. "É a primeira publicação sobre o assunto. O documento faz parte da mostra."


Para Roberto Yutaka Sagawa, professor do departamento de psicologia clínica da Universidade Estadual Paulista (Unesp), São Paulo foi o primeiro lugar da América Latina, nos anos 20, que viu a obra de Freud não só como teoria científica, mas como uma nova modalidade terapêutica no campo da medicina mental.


"Em 1925, Durval Marcondes abriu a primeira clínica psicanalítica no Brasil. A psicanálise representa a modernização no tratamento da saúde mental. Podemos considerar que o início da psicanálise no Brasil tem um peso equivalente ao que o modernismo representou nas artes."

Para Cleusa Rios Pinheiro Passos, professora de teoria literária e literatura comparada da USP, as pessoas que se abriram para as vanguardas da época estavam abertas para o pensamento freudiano. "Freud se coloca como um pensador que vai mudar o ângulo cultural de diversos saberes."


O psicanalista Marcelo Forones, também psiquiatra, ex-professor do departamento de psiquiatria da Escola Paulista de Medicina (atual Unifesp), que ajudou a colher dados para a exposição no Masp, disse que a influência da psicanálise é ampla. "O que levantamos é parte daquilo que provavelmente exista nesse terreno."


Segundo ele, o impacto da psicanálise correspondeu à mesma ruptura que o modernismo trouxe por outros meios.


Para a psicanalista Cássia Barreto Bruno, da Sociedade Brasileira de Psicanálise, havia uma sensação de euforia em 1900. "É nesse contexto que surge a psicanálise. Os artistas estavam deslumbrados com a ciência."


Ela afirmou que Freud deu uma contribuição particular à estética, quando interpretou a obra de arte como uma manifestação do inconsciente.


O evento, ocorrido em 5 de outubro no auditório do jornal, teve mediação de André Singer, professor do departamento de Ciência Política da USP e repórter especial da Folha.

 

Publicado originalmente por: Folha de São Paulo> https://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq1110200020.htm

 

 

 

 

 

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