A FELICIDADE NÃO-SUBSTANCIADA


Há algum tempo a felicidade vem perdendo o caráter de bônus e assumindo uma posição perigosa, quase que uma obrigatoriedade não-substanciada.


Se o sujeito tem buscas e triunfos, a felicidade aparece, neste caso, substanciada pelas suas buscas, diferentemente de quando se tem a felicidade como objetivo ou meta.


Veja bem, nesta última, a felicidade é buscada diretamente por si só, diferentemente do primeiro caso, onde seria a consequência do triunfo sobre uma certa busca.

A busca direta pela felicidade a torna inatingível, mesmo sobre os objetos fetichizados que a cultura contemporânea propõe (um bom caso, uma casa na praia, iphone, títulos e etc.).

Estes objetos fetichizados, em sua maioria, estão atrelados ao sucesso financeiro, que por sua vez, mesmo quando se tem muito ainda pode-se ter mais, e mesmo assim a felicidade não é garantida.


Se a felicidade não é garantida, compreende-se que seria porque não tem o bastante, e então busca-se ter mais. Esta dinâmica tende ao infinito e a felicidade não se consolida.


Em síntese, a felicidade não é consequência do sucesso financeiro, quando a colocamos como fim, ou seja, um objetivo, ela tende a se tornar não substanciada, diferentemente do contexto onde ela simplesmente desabrocha como consequência do triunfo sobre uma certa busca, como que um bônus pela luta.

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