O QUE É UMA NEUROSE?


Afinal de contas, o que é uma neurose? Aparentemente esta é uma pergunta singela, mas é necessário ir fundo para responde-la. Trata-se da matriz clínica dos primórdios da psicanálise.


Dentre as psicopatologias as neuroses histéricas foram a base da teoria de Freud, obviamente não se restringe a ela, pois existem também as neuroses obsessivas e fobias.


Freud denominou este conjunto de neuroses como transferenciais, em decorrência da relação que estas mantinham com o analista, dentro do processo clínico e com o desabrochar da psicanálise outras psicopatologias foram colocadas, como as psicoses, perversões, transtornos narcísicos, transtornos borderline, entre outros.

No entanto o conjunto geral da neurose permanece o mesmo, pois trata-se de uma luta de forças internas ao psiquismo, que poderíamos, simplificadamente, denomina-las como dois campos: o dos desejos, fantasias e pulsões de um lado e o campo dos mecanismos defensivos do outro.


Na luta entre estes campos surge o sintoma, que Freud chamou de “formação de compromisso”, mais uma vez, simplificadamente, seria uma espécie de acordos entre os dois lados que lutam (desejos, fantasias e pulsões X mecanismos defensivos).


Neste sentido os sintomas exprimem, de forma distorcida, o resultado de um conjunto de forças atuantes no psiquismo e que o trabalho clínico visa lucidar.


Na clínica psicanalítica, esta questão, envolve grande complexidade, bastante insistência e uma capacidade do analista para intervir no psiquismo do analisando no sentido de vislumbrar alguma mutação nos jogos de forças operantes em seu psiquismo.


Em outras palavras, o que temos na neurose é uma luta entre o conjunto pulsional do sujeito e seu conjunto do “eu”, que por sua vez opera o campo defensivo pois percebe neste conjunto pulsional algumas coisas incompatíveis com sua imagem.


Dentro desta dinâmica se cria o que Freud chamou de campo do “reprimido” e consequente “retorno do reprimido”, que se daria na via dos sintomas, atingindo o “eu”.


A neurose nasce de certos temores e angústias ligadas ao conjunto de demandas eróticas, afetivas e mesmo de uma pulsionalidade ligada a agressão.

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