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O PERCURSO ANALÍTICO (E AS LIMITAÇÕES DO NEURÓTICO)

Quando se adentra em um percurso analítico o analisando encontra em um momento da vida onde tornou-se uma espécie de enigma para si mesmo e na medida que isso ocorre indica que compreensões últimas sobre si já faltam.

 

Este fenômeno é interessante, pois o que nos mata são nossas certezas, segundo Freud adoecemos de nossas certezas.

 

Diferentemente do que propunha os alienistas ou antigos psiquiatras, onde a psicopatologia estava associada aos nossos déficits orgânicos, cerebrais, morais e se construía uma linha terapêutica oferecendo ao sujeito o que supostamente lhe estava em déficit, a psicanálise traz outra perspectiva.

Freud diz que não padecermos de nossos déficits, mas sim de nossas certezas e neste sentido, quando um sujeito busca a análise, certamente encontra-se em um momento onde as palavras que tem já não são suficientes para defini-lo, então busca-se outras possibilidades de descrição de si e encaminhamentos de suas questões.

 

Quando esta busca ascende, o percurso analítico pode ser uma grande aventura, ou seja, a perda das certezas neuróticas que temos pode fazer desabrochar em um caminho de descoberta, coisa que não seria possível na esteira da neurose, pois o neurótico adora crer que sabe tudo sobre si e sobre as coisas do mundo, não suporta incertezas.

 

Uma vez que o neurótico quer saber tudo sobre a vida e a vida se apresenta cheia de imprevisibilidade, o que lhe resta é diminuir a vida, em outras palavras, limita-la ao que o neurótico pode se convencer que conhece, diminuindo suas possibilidades de vivência.

 

Uma analogia para isso seria: o neurótico possui uma linda mansão, mas restringe-se a viver na lavanderia, se privando do desfrute de todo resto da casa.

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