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O INCONSCIENTE E A SEXUALIDADE

Como Freud, que era o típico pequeno burguês vienense do final do século 19, com hábitos profundamente pequenos: acordava cedo, colocava seu terno, acertava o seu relógio de bolso, tomava seu café da manhã, dava um passeio pelos jardins de Viena com sua bengala, vivendo da maneira mais previsível do mundo, mais pacata do mundo, pode se tornar o artífice do que o psicanalista Renato Mezan coloca como “fabricador de explosivos na sala de visitas”.

 

Em outras palavras, tendo a formação positivista que teve, na Universidade de Viena, das mais prestigiosas do mundo na época, com os mestres que teve, como pode se tornar o construtor teórico da ideia de um inconsciente dinâmico e colocar essa ideia relacionada com outros conceitos dentro do conjunto geral da teoria psicanalítica? Como isso foi possível?

 

Ele deu ouvidos ao drama, à loucura, ao êxtase histérico, ao campo da sexualidade sustentando na sua relação com as defesas. Por conta dessa visão, ele pode criar um campo conceitual diferente do que havia a sua disposição na época.

Um exemplo disso é o conceito que já existia sobre instinto, lastreado (como disse em outro momento) na biologia, marcado por um objeto fixo. No vocabulário proposto por Freud este conceito no humano se distingue, e será chamado de pulsão, pelo simples fato de não ter um objeto fixo e poder investir em objetos diversos no “jogo” da circuitaria pulsional.

 

Esta pulsionalidade nasce, em nós, apoiada no instinto, como vemos na fase oral, quando nascemos é instintivo buscar pelo seio da mãe para nos alimentar. Este sim é um comportamento humano instintual que ocorre de forma inata em nós.

 

A partir deste instinto, nós, humanos, desenvolvemos algo a mais, que segundo Freud, este “a mais” seria a sexualidade, ou seja, um campo de prazer, ligado em sua origem a atividade instintual, mas que irá se destacar dela. A pulsionalidade nasce na atividade instintual, mas depois se destaca dela, com uma autonomia de funcionamento própria.

 

Por isso podemos dizer, na psicanálise, que a sexualidade é desnaturada, no sentido de uma sexualidade onde nós temos uma especificidade por ser gerida pelo campo da fantasia.

 

Em outras palavras, no humano, nenhum campo da sexualidade é igual ao outro, cada um possui seu próprio campo de fantasias e prazeres, na medida que o instinto não pode dar conta dessas diferenças dentro da mesma espécie, pois instinto é algo fixo em todos os membros de uma espécie, é um comportamento padrão e na sexualidade humana é difícil pensar em comportamento único neste sentido.

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