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O PIONEIRISMO DA PSICANÁLISE

 

Voltando a questão da pregnância do conhecimento psicanalítico na cultura, obviamente, isso não aconteceu da noite para o dia. Foram necessárias décadas de muita persistência e muita luta.

 

A psicanálise enfrentou grande resistência de outros campos profissionais, principalmente médicos. Na cultura em geral, quando algo se difunde, surgem muitas críticas, vindo de todos os lados, como é de se esperar.

 

Buscar consenso nestas coisas de cultura é, simplesmente, uma ingenuidade que não cabe.

 

Da mesma forma que a psicanálise foi muito criticada, também levou sorte nos críticos que teve. Muitos deles pessoas grandiosas que tiveram apreço, levantaram questões muito interessante, e ajudaram os teóricos dela.

 

Outros, movidos por má fé, fizeram críticas menos produtivas. Existiu de tudo.

 

A pregnância na cultura mais vasta, fez com que a psicanálise deixasse de ser um campo lateral das práticas de cura psicológica, para se tornar, ao longo das décadas, o eixo principal das práticas psicológicas.

 

Freud foi o fundador da clínica psicológica, o inventor de uma intervenção psíquica sobre o mal-estar psíquico do outro. Ele foi o primeiro a fazer isso. Antes dele o que havia era uma tentativa de intervenção na via de recomendações de banhos gelados, caminhar nas montanhas, casar-se e, em alguns casos, eletrochoques. Uma série de situações cuja intervenção não tinha um caráter psíquico. Freud, a partir do seu método, encontra um caminho para essa intervenção.

 

Além do pioneirismo na criação da clínica psicológica, o esforço dele e de outros ao longo da história do movimento psicanalítico, criou esse elemento tão bem-sucedido da inserção da psicanálise na cultura. Aumento do número editorial, dos institutos de formação e da busca por analistas para dar opiniões sobre os mais diversos campos de atuação humana. Como nas artes, na pedagogia e na ciência.

 

Os analistas começaram através de uma mídia mais vasta, falar, praticamente, sobre tudo. Isso porque a psicanálise é uma teoria com uma capacidade heurística fortíssima, que permite chegar a pontos muito mais distantes. Mais distantes que, até mesmo, Freud antes imaginou quando criou esse campo teórico.

 

Existem analistas trabalhando em outros settings, em outras palavras, outros enquadramentos que não eram os enquadramentos, digamos assim, clássicos.

 

Como a chamada psicanálise em extensão, ou, como dizia Laplanche, “psicanálise extramuros”. Aplicada em estudos de obra de arte ou literatura, comentários sobre cinema, teatro, peças e atividades humanas culturais as mais diversas.

 

 

 

Quando do seu nascimento, foi muitas vezes questionada. Foi chamada de curandeirismo, charlatanismo e produto pervertido do espírito judeu (Freud era judeu). Canduras como essas que, na esteira do antissemitismo corrente à época, presentearam a psicanálise ao longo de sua história.

 

A psicanálise sobreviveu e, também por conta dos ataques, foi popularizada. Tanto pelas pessoas que a acolheram, como as que a rechaçaram. É assim que os movimentos históricos vão tomando forma.

 

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