Please reload

O PAPEL DO AMOR NA FORMAÇÃO DO SUJEITO

 Retrato de Freud e sua filha Anna

 

Neste artigo, abordo a presença do “outro” no processo de subjetivação do sujeito, ou seja, de como nos tornarmos seres psíquicos, bem como animais simbólicos a partir da participação do “outro”.

 

Por conseguinte, não há possibilidade de abolir isso. Alguns até desejam, mas lamento. O que ocorre é que a formação do psiquismo implica esse “outro”, pois este outro também não ofereceu toda a possibilidade de inserção nossa no campo do simbólico, da linguagem desde muito cedo em nossa vida, ou seja, o “outro” está sempre presente.

 

O outro está presente no campo amoroso e este é um campo muito antigo em nós. O amor faz parte da nossa tessitura, os dramas da nossa vida amorosa, que começam muito cedo, fazem parte da nossa tessitura psíquica. Nós somos o que somos a partir de todo um conjunto de dramas afetivos que constitui nosso processo de subjetivação. De forma que é das coisas mais importantes que a Psicanálise nos apontou, é o papel do amor na formação e constituição do sujeito e o quanto o amor, na nossa vivência, na atualidade da vida de alguém, diz dele e diz de seus impasses, de suas dores, de sua história.

Por isso, amar nunca é uma coisa muito simples. Acho um pouco irónico até que nas formas cotidianas de desejar alguma coisa boa aos outros, as pessoas dizem: “Eu te desejo paz e amor.” Paz e amor não é propriamente coisa que se deseja porque uma

 

coisa não combina muito bem com a outra,. Amar não é algo que traga lá muita paz, porque ela traz todo um campo de enigmas renovados ao sujeito e que são interessados a esse outro, a esse objeto amado na busca do: “Quem sou eu pra você? Diga-me de mim!”

 

O fenômeno amoroso é um fenômeno onde o sujeito busca respostas sobre si na via do outro, que é desde o Banquete de Platão ou alguém que é depositário do que se chamava Agalma, ou seja, tem algo meu no objeto amado. Nesse sentido, a escolha do objeto amoroso sempre carrega algo de narcísico e nesse sentido aquele a quem amamos diz sobre nós. Não é à toa que quando amamos alguém temos a impressão de que essa pessoa sempre esteve na nossa vida ou nos conhece de uma forma que queremos ser apresentados.

 

Então, a vivência amorosa é algo profundamente enigmático para as pessoas. O trânsito nisso é bastante complexo e não é à toa que obviamente impasses e dificuldades do campo amoroso iniciam um percurso que leva muitas vezes as pessoas à clínica psicanalítica para trabalharem essas questões que não são fáceis a ninguém.

 

E no que diz respeito também à contemporaneidade, o amor se complica ainda mais uma vez que ele se tornou um ideal quase de redenção, depois que as utopias científicas, políticas, as paixões de toda ordem, principalmente advindas do século 19, que foi chamado século das paixões, começaram a decair com essa cultura da fetichização do objeto e da ideologia do sucesso. Essa situação dessa diminuição de quebra das utopias foi dando emergência a um único valor que parece que tem poder de redenção sobre o sujeito, que é o valor do amor. O amor te redime, te salva e, paradoxalmente, nessa cultura onde o amor vai sendo elevado ao único valor utópico. Por outro lado, nós estamos com uma extrema dificuldade da vivência, do passeio fenomenológico na vivência amorosa. Então ele paira sobre nós como um ideal a ser encontrado e buscado. Um salvador, um redentor, mas ao mesmo tempo uma dificuldade em uma vivência de impossibilidades nesse campo.

 

 Já pensou em ser Psicanalista? 

O período de Pré-matrícula para o Curso de Formação Psicanalítica esta aberto.

Clique aqui e faça sua Pré-matrícula!

 

 

 

 

Please reload

deixe seu comentário abaixo

INSTITUTO ESFERA

Rua Amador Bueno, 1300, Centro

Ribeirão Preto - SP | (16) 3625-0656