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A FORTE INFLUÊNCIA DE FREUD SOBRE O GRANDE PINTOR SALVADOR DALI

06/03/2019

Sabia que Salvador Dali era um grande fã do psicanalista Sigmund Freud?

Confira o artigo a seguir que relata um pouco desta história entre estas duas grandes personalidades.

 

Freud e Dalí - Psicanálise e Artes 

Um dos sonhos do pintor Salvador Dalí era o de conhecer o pai da Psicanálise. Desde a primeira publicação da "Interpretação dos Sonhos" em espanhol, em 1922, Dalí ficou maravilhado com o livro de Sigmund Freud, sendo "uma das descobertas mais importantes da minha vida", nas palavras do pintor.

 

Suas obras a partir de então ganharam um "tom freudiano", onde trabalhos como o da imagem, de Es Llaner Beachrealizado em 1921, vão dando lugar a pinturas como Soft Construction with Boiled Beans (Premonition of Civil War), onde a paisagem e a figura humana dão lugar a um universo onírico e, tal qual os trabalhos de Freud, frutos da criativa e sonhadora mente do pintor surrealista, ou, como ele dizia, sua “irracionalidade concreta”. 

O movimento surrealista se utilizava das teorias freudianas e sua interpretação dos sonhos para utilização em seus trabalhos, e Dalí, sendo um dos maiores entusiastas, tentou inúmeras vezes conhecer de perto o autor.

Soft Construction with Boiled Beans (Premonition of Civil War) - Salvador Dali (1936) 

 

Era 1938 quando, ao ver a foto do pai da psicanálise na capa de um jornal parisiense, ele teve a brilhante visão de que a cabeça de Freud era parecida com uma espiral. O psicanalista estava na capital da França, à caminho de Londres, por conta de sua saída de Viena, ocupada pelos nazistas, durante a Segunda Guerra Mundial. Ao saber da notícia, Dalí tentou, tentou, fez seus contatos,  até chegar a Stefan Zweig, que admirava sua obra e acabou influenciando Freud a permitir que Dalí o visitasse e fizesse um retrato seu.  

 

Após três cartas, o encontro foi marcado para o dia 19 de julho, em Londres. Freud estava com 82 anos e doente, com o câncer na mandíbula em estado avançado. Após anos de espera, finalmente aconteceria o encontro tão sonhado por Dalí. Mas diferente do que pudesse imaginar, Freud mal falava, por conta da mandíbula e também não sabia falar espanhol, tampouco Salvador falava alemão. Já não bastasse o nervosismo do encontro, havia ainda a barreira da língua...

Metamorfose de Narciso - Salvador Dali (1937)

 

O pintor trazia consigo o quadro Metamorfose de Narciso, que é apreciado por Freud, que mesmo não sendo fã do movimento surrealista, confidenciou que "...seria muito interessante explorar analiticamente o desenvolvimento de uma pintura como essa...". Como não conseguiram conversar por conta das barreiras linguísticas, Dalí ocupou seu tempo fazendo desenhos e esboços da cabeça de Freud, enquanto esse conversava com Zweig. 

Vidas seguiram, Freud viria a falecer um ano depois, no Reino Unido, enquanto Dalí continuou até 1989. O curioso encontro foi retratado na peça Histeria, do dramaturgo inglês Terry Johnson, que já foi encenada em diversos países, incluindo o Brasil, e mostra como, apesar das diferenças, o trabalho de Freud influenciou e mudou para sempre a vida e as pinturas de Salvador Dalí, mesmo que não intencionalmente.

 

Publicado originalmente por: Livraria Universo> https://www.livrariauniverso.com/single-post/2018/02/23/Freud-e-Dal%C3%AD

 

 

 

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