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CONSCIENTE, INCONSCIENTE E A LIBIDO

 

 

Neste artigo pretendo explicitar um pouco da ideia da consciência e do inconsciente. Mas antes, é bom lembrar que essa ideia do inconsciente não foi Freud quem inventou, nem foi ele a primeira pessoa a pensar em processos inconscientes. Antes de Freud o inconsciente era pensado mais em termos descritivos, ou, porque não dizer, sobre outras abordagens filosóficas.

 

Freud foi o primeiro a lhe dar lugar em um campo teórico bastante articulado, as chamadas visões do campo mental dentro da metapsicologia.

 

Freud faz uma concepção dinâmica, tópica e econômica do inconsciente. Inserindo-o na dinâmica da vida mental, de forma absolutamente, amarrada com outros conceitos, bastante diferente do que vemos em outras descrições do inconsciente, mesmo entre psicólogos e filósofos até então.

 

Ele inaugura e nos mostra como é constituído o inconsciente, de que forma ele atua, quais são suas formações, quais são, por assim dizer, seus produtos e a sua atuação na vida psíquica do sujeito no devir do seu sofrimento.

A consciência, naturalmente, é tema humano por excelência, muito antes de Freud, remetemos isso ao início da filosofia. No que diz respeito a psicologia humana, derivado de elaborações filosóficas, o fato consciente era considerado o cerne do acontecimento psíquico. Psiquismo e consciência eram equalizados antes das elaborações de Freud.

 

Freud nos mostra que o inconsciente é mais ou menos como uma pequena ilha no Oceano do inconsciente. A consciência possui, dentro da elaboração psicanalítica, um estatuto teórico bastante importante (não há dúvida nenhuma sobre isso), mas não equalizável ao conjunto do acontecer psíquico como um todo.

 

 

O que diferenciaria a consciência do inconsciente?

 

Freud vai pensar sobre isso, em um primeiro momento, como um campo energético na consciência, onde suas representações estão ligadas a libido, que por sua vez está investida e relacionada a representações específicas. Diferente do inconsciente, onde a libido estaria “desligada”.

 

Por “desligada” entenda-se: ela não está fixada num campo de representações, mas transita num fluxo de representações com bastante facilidade. Sendo assim, ela é vista como uma energia “desligada”, ou seja, a estabilidade do campo da consciência estaria ligada a esse aspecto da energia libidinal, que daria à especificidade do campo da consciência.

 

O campo da consciência, naturalmente, está ligado ao sistema perceptual, que por sua vez é voltado, ao que Freud chamava, de realidade externa.

 

Freud vai nos dizer que o fenômeno da consciência, colocando de forma simples, envolveria uma certa qualidade energética. Para atingir essa qualidade energética seria necessário também uma certa quantidade energética. Ele articula a quantidade com a formação de uma qualidade, a qualidade dos elementos da consciência.

 

No inconsciente, suporíamos, a energia não estar ligada, e por isso não atinge a quantidade necessária para a formação de uma qualidade que levaria a consciência, fundamentalmente, a representações do sistema perceptual. Neste caso, não há energia em quantidade capaz de criar uma qualidade que promoveria a consciência daquelas representações apresentadas ao sujeito através do mundo perceptual.

 

Freud, em suas primeiras abordagens, não vai teorizar em termos de superego, sistema de ideais e mecanismos de defesa. Ele vai dizer que os processos que ocorrem no inconsciente de alguém neurotizado afligem a consciência (a consciência moral e estética do sujeito).

 

Eram representações ou elementos que acabariam no inconsciente por uma via de uma repressão. Nada disso ainda estava absolutamente teorizado em termos de como ocorre.

 

Havia essa percepção da consciência, mas não havia a ideia da consciência de um ‘eu’, de um superego ou de um sistema de ideais, tudo isso virá depois na teoria psicanalítica.

 

Porém, desde o início Freud pensa em termos de luta, ele pensa em termos de um dualismo onde a consciência teria o papel de expurgar do seu campo certos elementos, que depois vão ser pensados, também, de outras formas, com mais elaborações, mas dentro desse escopo.

 

Então repare, em termos de objetivos terapêuticos, têm-se a possibilidade de um alargamento na terapia do campo da consciência para que ela pudesse abarcar um conjunto de incoerências, um conjunto de disparidades de si, a respeito do próprio “eu” e de suas demandas, que o neurótico não suporta e os mantém no inconsciente.

 

A terapêutica visa, então, uma capacidade de sustentação do nosso “eu”, nossas próprias grandezas e misérias, por assim dizer em uma linguagem mais poética.

 

Nossas próprias disparidades psíquicas, que não cabem na imagem que o “eu” faz de si e tenta manter essa imagem na via dos mecanismos de defesa.

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