INSTITUTO ESFERA

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A VIDA E SEU VALOR

 

 

Qual o valor da vida? Pergunta difícil na medida mesmo em que é somente através dela que vamos podendo aprender o que significa valor, o que pode vir a valer algo para nós em nossa singularidade, no devir de cada vida em si mesma irreproduzível. Dizer que a vida de cada um de nós é irreproduzível em relação a outras vidas obtém um consenso geral sem questionamentos. Aqui, no entanto, quero hoje me deter um pouco mais no alcance da idéia de que a vida singular de cada um tem no decorrer de seu próprio fluxo essa propriedade de irreprodutibilidade.

 

Essa idéia carrega maior interesse se a colocarmos junto à experiência que o eu tem de uma continuidade de si ao longo do tempo, um sentido de constância que parece ir de encontro ao que dissemos sobre um irreproduzível no fluxo da vida.

 

Ao psicanalista não cabe a presunção de que tenha valores que possa oferecer como um bem ao analisando no percurso analítico, mas de outra forma ter como único valor o da vida. Valor da vida enquanto esperança quanto a novas e sempre imprevistas possibilidades de viver, pensar, sentir e também sofrer, na medida da aposta psicanalítica na existência e operatividade de um inconsciente dinâmico, capaz de reconfigurar constantemente formas e vivências emocionais ao sujeito. Valor da vida enquanto condição de possibilidade para o novo, que tem como condição de aparecimento sempre a presença do outro em vários campos de relação com o sujeito, incluindo aí a relação analítica.

 

 

 

A vida, em sua magnífica profusão de experiências possíveis, oferece ao sujeito o valor de um sempre devir sem garantias que o convoca a apostar eticamente em suas palavras e atos, sem saber de antemão seu campo de ressonâncias na rede de relações nas quais está inserido. Convida, enfim, ao exercício da liberdade, enquanto um por assim dizer completar o vazio com as pinturas possíveis à configuração da subjetividade do sujeito. Podemos vislumbrar assim que o valor da vida não pode ser medido, porquanto nunca em determinado momento totalmente totalizado, sendo sempre a condição a priori de um porvir...

 

 

 

A inserção na vida, enquanto rede de relações é isso mesmo, uma inserção do sujeito em algo maior do que ele, em uma vida significada por uma rede de relações e pelo outro que em muito difere de uma concepção da vida enquanto metabolismo corporal biológico que se esgota em si mesmo. Inserção na vida significa que o sujeito ele próprio é significado, posto em determinado lugar no conjunto psíquico de quem com ele se relaciona, rede essa que nos dá um valor simbólico que equivale certamente às possibilidades de sermos lembrados pelo outro; condição única de sobrevivência para além da vida biológica, a memória do outro.

 

Desde a Grécia antiga, os poetas escreviam no sentido de uma tentativa de imortalizar feitos, que de outra forma seriam fugidios, aos que depois viessem ao mundo e pudessem de sua forma manter viva a lembrança de atos e palavras de quem agiu e falou no sentido de intervir no mundo, na grandeza da ação ética que não pode conhecer seus efeitos à priori. Outros darão o sentido, no seu tempo e em sua vida, ao que foi passado por alguém em algum outro tempo...

 

Vida ao vivo! No encontro sempre complicado com novas possibilidades sempre convidamos a angústia para o jantar... E certamente também a marcar de alguma forma o mundo com algo de nós, no convite à responsabilidade singular que ninguém mais pode assumir por nossa vida.

 

Esta parece ser uma grande dificuldade, vir a sentir nossa vida como nossa, ou que possa vir a ser nossa; que possamos sair da posição de turista em nossa vida, alienando perversamente nossa responsabilidade intransferível a grandes discursos nos quais buscamos nos fazer uma parte, objetos... E você, tem aceitado a convocação reiterada da vida a viver?...

 

 

 

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