MINDFULNESS E A CONECTIVIDADE CEREBRAL



Tema: Prática de mindfulness altera conectividade funcional cerebral e leva a redução de

marcador inflamatório


Resumo:


Intervenções com o treinamento de práticas baseadas em mindfulness têm sido demonstradas como responsáveis pela melhoria de marcadores de saúde, mas os mecanismos neurobiológicos envolvidos com essas mudanças ainda não estão bem estabelecidos.

Baseado em um estudo transversal que demonstra que práticas meditativas baseadas em mindfulness aumentam a conectividade funcional de repouso (rsFC) da rede neural padrão ou “Default Mode Network” (DMN), com regiões importantes no controle executivo do cérebro (Córtex Pré-frontal dorsolateral, dlPFC), no presente estudo, é avaliado se o treinamento com práticas meditativas baseadas em mindfulness aumenta a relação na conectividade funcional de repouso da DMN-dlPFC e se essas alterações prospectivamente explicam melhorias em níveis de interleucina-6 (IL-6) em um estudo controlado randomizado. A IL-6 é um biomarcador relacionado a quadros de estresse e sua elevada concentração no plasma sanguíneo é associada ao maior risco de doenças cardiovasculares.

Adultos em condição de estresse em busca de emprego (N=35) foram divididos aleatoriamente em dois grupos: 3 dias de treinamento intenso de mindfulness em forma de retiro (N= 18) ou 3 dias de um programa de relaxamento também realizado em forma de retiro residencial (N=17). Os exercícios utilizados no primeiro grupo foram retirados do programa de redução de estresse baseado em mindfulness (MBSR) e agregados em um novo formato chamado “melhoria da saúde através do mindfulness”. Os participantes foram submetidos a cinco minutos de escaneamento cerebral em repouso antes e depois dos programas de intervenção. Coletas de sangue dos participantes também foram obtidas antes da intervenção e 4 meses após a mesma, através das quais foram analisadas concentrações de IL-6 circulante.


Resultados:


Foram estudadas alterações na conectividade funcional em repouso da DMN utilizando uma análise do córtex cingulado posterior (PCC) e constatou-se que o treinamento através do programa de mindfulness, e não o programa de relaxamento, aumenta a conectividade funcional em repouso do PCC com o córtex pré-frontal dorsolateral esquerdo (P<05, corrigido). Essas alterações pré-pós treinamento na conectividade funcional de repouso entre o PCC- dlPFC é estatisticamente relacionada com melhorias em níveis de IL-6 (representadas pela redução de níveis plasmáticos desse biomarcador) na análise realizada 4 meses após o treinamento no grupo que passou pelo programa baseado em mindfulness. Especificamente, essas alterações da conectividade funcional de repouso explicam estatisticamente 30% dos efeitos globais na IL-6 no acompanhamento pós treinamento com as práticas baseadas em mindfulness.

Conclusões: Esses achados promovem a primeira evidência que o treinamento com as práticas baseadas em mindfulness conecta funcionalmente a rede neural padrão ou Default Mode Network, com uma região conhecida por sua importância no controle executivo top-down em repouso (córtex pré-frontal dorsolateral esquerdo), o que, por sua vez, é associada a melhorias nos níveis de IL-6, um marcador de risco de doença inflamatória.



J. David Creswell et al., 2016 Link: http://www.biologicalpsychiatryjournal.com/article/S0006-3223(16)00079-2/abstract

Repost: http://www.mindfulnessbrasil.com

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