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VIVA A REVOLUÇÃO DO CONSUMO

10/05/2017

 

 

Já acreditei em armas, guerrilhas e facções. Hoje acredito que a revolução está na mudança de nossos hábitos, especialmente nos de consumo.  Em uma sociedade em que o capital é o pivô de guerras mundiais e o patrimônio está distribuído de maneira exorbitantemente desigual, encontrar novas formas de lidar com recursos me parece um ato libertário.


Pensa bem, o que você acha que tá valendo mais: seu título de eleitor ou seu papel como consumidor?  Cada vez me convenço mais que nossas escolhas de consumo é o que fazem realmente alguma diferença nesse mundão tão complexozinho em que enfrentamos nossa existência.  


Toda luta legítima deve ser valorizada e fortalecida, mas nem toda luta é de todos. Já a revolução do consumo diz respeito a todo e qualquer ser vivo. Você é um ser vivo? Então lutar por um consumo mais consciente diz respeito a você. Sabe por quê? Por que todos nós consumimos de alguma forma os recursos naturais, do mais fútil dos playboys ao mais desapegado dos monges. Estamos todos no mesmo barco afundando nas armadilhas em que nós mesmos criamos. E isso não é um dedo apontado na cara, afinal é fácil se afogar nesse mar de pseudo-botes-salva-vidas que desfilam por aí, mas é um aviso dizendo “ei, tamos junto, e agora, o que vamos fazer?”. E nesse sentido, vejo com muitos bons olhos a proposta de repensar e refazer nossas relações com o nosso entorno.


Apesar de estarmos juntos, temos singularidades que precisam ser respeitadas. Alguns sentem o chamado de experimentar uma forma de organização diferente, e seguem caminho para ecovilas, comunidades alternativas, monastérios ou vão desvendar outros mistérios. Mas quem não se sente motivado a fazer uma mudança dessas pode fazer suas pequenas – e não menos grandiosas - revoluções diárias.

 

 

 

Consumo consciente: algumas possibilidades


Como batalhar nessas revoluções diárias? Existem algumas inspirações que me abastecem e me motivam a levá-las adiante do meu jeito. E acho que o jeito é esse mesmo, encontrar a sua maneira de ser mais gentil com o mundo.
No que diz respeito à sustentabilidade – e aqui vale o conceito mais holístico da palavra, contemplando aspectos ambientais, financeiros, sociais e culturais - muitas são as possibilidades e uma das que mais me encanta é o compartilhamento. Por isso, vou dividir com vocês algumas armas que acredito serem eficientes na guerra contra a geração de impactos negativos para o mundo. Não é nenhuma invenção da roda, mas vale a pena (re)ver:

- Aprender a viver com menos
Repensar hábitos de consumo, percebendo o que é necessidade sua ou necessidade criada pelo social e, aos poucos, ir tirando – ou deixando de colocar – o que você não precisa mais e a repassar para quem tem menos ainda. Assim, não falta pra ninguém!

- Dizer adeus ao desperdício
Planejar bem as compras, aproveitar integralmente os alimentos, diminuir ao máximo os descartáveis, dando preferência para produtos à granel ou com menos embalagens.

- Escolher bem seus fornecedores
Antes de arrematar uma compra, já sabe: veja se ela é necessária. Se for, faça questão de saber de onde vem e como é feito o produto em questão. Boicote marcas que desrespeitem valores humanos e gerem alto impacto ambiental, ao mesmo passo valorize marcas responsáveis. Se você puder dar preferência para comprar de produtores artesanais e regionais, melhor ainda, pois você gasta menos recursos com transporte e apoia uma distribuição mais justa de riquezas. A agricultura familiar é um terreno fértil nesse campo, quem sabe você também começa a cultivar seu próprio alimento ou apoia grupos que se sustentam do trabalho na terra!

 

- Reutilizar e reciclar
Procure dar novas finalidades para peças que iriam para o lixo. Neste quesito vale consertar, customizar, revitalizar etc e tal. Se você não sabe muito bem como fazer isso, encaminhe o material para quem sabe. Ou então adquira peças usadas ou produzidas com materiais reutilizados. Quem não descobriu o mundo mágico dos sebos e brechós não sabe o que está perdendo!
E se o resíduo precisar mesmo ser descartado, procure dar o destino mais adequado a ele, encaminhando recicláveis para catadores e transformando orgânicos em adubo, entre tantos outros exemplos.

- Trocar, doar, compartilhar....
Gente, é incrível o que se pode trocar nessa vida! Uma ação de compartilhamento pode ser realizada de muitas formas: com moeda social ou sem, seguindo um regulamento ou deixando rolar de forma mais orgânica, promovendo exclusivamente trocas ou deixando aberto para as pessoas doarem e aceitarem presentes. O que não serve mais pra você pode ser justamente o que outra pessoa está precisando.
Se você quer trilhar este caminho, um bom começo é entrar em redes de trocas, como grupos virtuais e/ou participar de ações presenciais.

Uma boa troca é aquela em que todos saem ganhando, sejam ganhos em forma de objetos, ideias e ideais, sem necessariamente envolver dinheiro nessa história. Vai me dizer que isso não é revolucionário? Posso estar sendo ingênua, mas acredito sim que o consumo consciente pode nos ajudar a navegarmos de forma mais harmônica nesse barco que anda enfrentando tantas tempestades!

 

 

 


 

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